Este blogue tem como objectivo divulgar conceitos, informações, músicas, vídeos, jogos, cartoons, curiosidades, sobre temas relacionados com a bioquímica. Porque a Bioquímica não tem que ser incompreensível...
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domingo, 26 de abril de 2015
quarta-feira, 5 de março de 2014
Ligação de hidrogénio
A ligação de hidrogénio é também chamada de ponte de
hidrogénio e, como o próprio nome indica, envolve um átomo de hidrogénio. Na
realidade trata-se de um caso particular de interação dipolo-dipolo (entre
moléculas polares) que envolve um átomo de hidrogénio, e que requer condições
específicas para se estabelecer.
Há dois requisitos que se têm que verificar para que se
estabeleça uma ligação de hidrogénio. Por isso, nem todas as moléculas polares
que possuem hidrogénio apresentam a capacidade de estabelecer este tipo de
interação… o primeiro requisito que deve ser cumprido é a existência de um
átomo muito eletronegativo numa das moléculas. Quando digo “muito
eletronegativo” estou-me a referir a um dos 3 átomos mais eletronegativos –
oxigénio, azoto ou flúor. Este átomo vai funcionar como “aceitador” de
hidrogénio, pois derivado do facto de ser muito eletronegativo, vai ter uma
densidade eletrónica muito elevada sobre ele e, consequentemente, vai
apresentar carga parcial negativa. O segundo requisito que se tem que verificar
é a existência de um átomo de hidrogénio covalentemente ligado a um átomo muito
eletronegativo. Neste caso, este último funcionará como “dador” de hidrogénio,
sendo que o hidrogénio vai apresentar carga parcial positiva porque está ligado
a um átomo muito eletronegativo.
Portanto, o que ocorre é uma atração eletrostática entre as
cargas parciais opostas, estabelecendo-se a ponte de hidrogénio. Na bioquímica, as ligações de hidrogénio, tal como as restantes forças não covalentes, são muito importantes. O exemplo mais conhecido diz respeito à interação entre bases azotadas complementares
E já agora… apesar de já ter escrito isto noutro post, não
resisto a contar outra vez: ;)
Sabem como é que um eletrão se suicida?
Atira-se da ponte de hidrogénio!
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014
Ligação dipolo-dipolo
A ligação dipolo-dipolo, ao contrário da ligação iónica
(explicada recentemente aqui no blog…), não envolve grupos funcionais
ionizáveis, ou seja, com cargas totais positivas ou negativas. Envolve regiões
com cargas parciais…
É um tipo de interação eletrostática que se estabelece entre
moléculas polares, ou, pelo menos, entre regiões polares das biomoléculas.
Conforme explicado num post anterior sobre o conceito de eletronegatividade, a
presença de átomos com eletronegatividades diferentes numa determinada região
de uma molécula, vai provocar assimetrias na distribuição da nuvem eletrónica,
o que vai, por sua vez, criar regiões com menos densidade eletrónica (e,
consequentemente, com cargas parciais positivas) e regiões com maior densidade
eletrónica (e, consequentemente, com cargas parciais negativas).
Sendo assim uma região com uma carga parcial positiva tende
a interatuar electrostaticamente com uma região com carga parcial negativa,
através de uma ligação dipolo-dipolo.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Ligação iónica
Portanto, quando uma biomolécula apresenta uma região com
carga negativa (grupo carboxílico ou fosforilo, por exemplo), este pode
estabelecer uma interação eletrostática com uma região de uma biomolécula que
apresente carga positiva (por exemplo, grupo funcional amina ou imidazole).
Esta atração eletrostática que se estabelece entre as cargas opostas é que é a
ligação iónica.
É um tipo de interação que se estabelece entre moléculas
polares ou, pelo menos, entre regiões polares ionizáveis das biomoléculas. Como
exemplos, temos o caso de uma interação entre uma lisina e um glutamato no
interior de uma proteína, ou a interação entre o DNA e as histonas, entre
muitas outras…
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
segunda-feira, 13 de janeiro de 2014
Forças intermoleculares e ponto de fusão/ebulição
Uma coisa
que costuma fazer alguma confusão aos meus alunos é a relação entre as forças
não covalentes intermoleculares e o ponto de fusão/ebulição de uma substância. Na
realidade, como é que se consegue explicar, do ponto de vista molecular, a existência
do estado liquido e do estado sólido? A resposta passa exatamente pela
existência de forças intermoleculares. Ambos os estados são caracterizados por
uma maior ordem na distribuição espacial das moléculas, quando comparados com o
estado gasoso. Essa ordem é uma consequência das atrações existentes entre as
diferentes moléculas que compõem uma substância. Sendo assim, no estado
líquido, cada molécula estabelece várias interações (não covalentes!) com as
moléculas vizinhas, e no estado sólido a quantidade de interações é ainda
maior.
Quando se
atinge o ponto de fusão/ebulição, o que se está a efetuar é a transição de um
estado em que existem mais forças intermoleculares para um em que existem
menos. Dito por outras palavras, o que se está a fazer é fornecer energia para
quebrar as forças não covalentes estabelecidas entre as moléculas, através do
aumento da energia cinética das mesmas.
Portanto,
quanto maior for a intensidade das forças não covalentes existentes entre as
moléculas, maior será a quantidade de energia necessária para quebrar essas
interações, e, consequentemente, maior será o ponto de fusão/ebulição.
Muitas vezes
pergunto aos meus alunos o que é que acontece quando se atinge o ponto de
ebulição de uma determina substância, e a resposta que invariavelmente obtenho
é: “Está-se a quebrar as ligações”. O problema surge quando eu pergunto que
tipo de ligações, pois normalmente a tendência deles é dizer que são as
ligações covalentes. Em jeito de brincadeira, digo-lhes que então a água no
estado gasoso já não é H2O, e aí eles percebem que de facto o que se
cliva são as ligações não covalentes.
Resumindo,
existe uma relação direta entre as forças intermoleculares e o ponto de
fusão/ebulição, sendo que quanto maior for o somatório dessas forças, maior
será o ponto de fusão/ebulição de uma substância.
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
sábado, 21 de setembro de 2013
Interações não covalentes (parte2)
Conforme referi no meu primeiro post sobre as ligações não
covalentes, estas tratam-se de algo essencial na bioquímica!
Por um lado, uma vez que são forças fracas, permitem uma
dinâmica grande das comunicações entre moléculas ou dentro da mesma molécula.
Dito por outras palavras, como são fracas permitem, por exemplo, que duas
moléculas interatuem temporariamente uma com a outra; ou então permitem que
determinada macromolécula adquira temporariamente determinada conformação. Mas
em qualquer um dos casos, se for necessário alterar essa situação, não é
complicado, pois tratam-se de forças fracas… Como exemplos da primeira situação
temos uma interação entre um substrato e o centro ativo de uma enzima (atenção
que nalguns casos o substrato pode interatuar covalentemente com a enzima!),
uma interação entre um recetor e o seu ligando, uma interação entre duas
proteínas, etc. Como exemplos da segunda situação temos alterações
conformacionais de uma enzima induzidas pela ligação de um substrato ou pela
ligação de um modulador alostérico, alterações conformacionais de uma proteína
em resposta a uma alteração de pH (o que acontece, por exemplo, com a
fosfofrutocinase-1 durante a fermentação lática, sendo esse um dos fatores
associados à fadiga muscular…), etc.
Mas não se deixem enganar pela fraqueza individual de cada
uma das interações não covalentes. De facto, como na bioquímica lidamos
frequentemente com moléculas grandes (polissacarídeos, proteínas, ácidos
nucleicos, por exemplo), existem inúmeros locais no interior dessas moléculas
que podem interatuar uns com os outros. Sendo assim, forma-se uma rede de
interações não covalentes que é responsável pela manutenção da estrutura 3D
dessas moléculas. O somatório de todas as forças torna-se enorme, conferindo
uma grande estabilidade às biomoléculas. Por isso é que, por exemplo, uma
proteína adquire um ou poucas conformações possíveis, apesar de virtualmente
existir um número elevadíssimo de conformações que a proteína poderia
apresentar…
Finalmente, existe um aspeto muito importante que está
relacionado com as forças não covalentes que as moléculas podem estabelecer: a
sua solubilidade! Na realidade, muitas vezes quando dissolvemos algo em água
(sal ou açúcar, por exemplo), não pensamos no porquê da dissolução ocorrer. A
ideia é muito simples… Para uma substância se dissolver num determinado
solvente, as moléculas qua a constituem devem ser capazes de interatuar com as
moléculas do solvente, de uma forma energeticamente mais favorável do que o seu
arranjo inicial. Por exemplo, o somatório da rede de interações entre os átomos
de Na+ e Cl- no sal é inferior ao somatório das
interações desses iões com as moléculas de água. Sendo assim, na presença de
água o sal dissolve-se. E o raciocínio é válido para qualquer soluto e/ou
solvente. Por isso se diz a frase “Semelhante dissolve semelhante”, que na
realidade nos diz que a dissolução ocorre quando existe afinidade química entre
moléculas do soluto e do solvente.
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