Este blogue tem como objectivo divulgar conceitos, informações, músicas, vídeos, jogos, cartoons, curiosidades, sobre temas relacionados com a bioquímica. Porque a Bioquímica não tem que ser incompreensível...
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sexta-feira, 11 de agosto de 2017
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Ligação glicosídica
A ligação glicosídica é uma ligação covalente que, por
definição, envolve o carbono anomérico de um monossacarídeo. Ao contrário do
que muita gente pensa, a ligação glicosídica não tem que ser obrigatoriamente
entre dois monossacarídeos, basta pensar no que acontece nos nucleótidos, por
exemplo, onde a ribose estabelece uma ligação glicosídica com a base azotada. Claro
que também pode envolver dois monossacarídeos, como é o caso das ligações
existentes nos oligossacarídeos ou polissacarídeos, mas não é obrigatório que
isso aconteça.
Quando se estabelece uma ligação glicosídica, é libertada
uma molécula de água, sendo, por isso, uma reação de condensação. O átomo de
oxigénio e um hidrogénio são libertados do carbono anomérico, enquanto que o
segundo átomo de hidrogénio é libertado pelo átomo ao qual o carbono anomérico
se vai ligar.
Uma vez que o monossacarídeo envolvido na ligação glicosídica (ou
os monossacarídeos, se for esse o caso) perde átomos em relação à sua
composição original, passa a designar-se “de resíduo” de monosscarídeo. Por isso
é que muitas vezes se ouve dizer, por exemplo, que a sacarose é composta por um
resíduo de glucose e um resíduo de frutose…
Consoante o tipo de átomo ao qual se liga o carbono
anomérico, a ligação glicosídica recebe um nome diferente. Sendo assim, existem
dois tipos de ligações glicosídicas, as do tipo O e as do tipo N. Ou seja, no
caso das ligações O-glicosídicas, o carbono anomérico está ligado a um átomo de
oxigénio, enquanto que nas N-glicosídicas, está ligado a um átomo de azoto.
Além
desta designação, também é vulgar as ligações glicosídicas serem chamadas de
alfa ou beta. Essa nomenclatura depende da configuração do carbono anomérico
envolvido na ligação glicosídica (mais informações sobre esse assunto aqui). Ou seja, se o carbono
anoméico estiver na configuração alfa, a ligação é do tipo alfa, se estiver na
configuração beta, a ligação é do tipo beta.
Por último, gostaria de destacar que quando um
monossacarídeo estabelece uma ligação glicosídica, deixa de ser um açúcar redutor,
pois deixa de ter o seu carbono anomérico livre (em breve irei colocar um post
aqui no blog sobre esse assunto).
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sexta-feira, 28 de julho de 2017
terça-feira, 25 de julho de 2017
Termogenina
A termogenina (UCP1) foi a primeira proteína desacopladora a ser descoberta, no ano 1978. É uma proteína transmembranar presente na membrana interna das mitocôndrias.
Os desacopladores são substâncias que provocam a separação funcional entre a oxidação do NADH ou FADH2 e a fosforilação do ADP a ATP. No que concerne à sua função, é de salientar que as proteínas desacopladoras, neste caso a termogenina, fornecem uma via alternativa para os protões (H+) passarem do espaço intermembranar da mitocôndria para a matriz mitocondrial sem se relacionarem com a enzima ATP sintase (complexo F0F1). A energia do gradiente eletroquímico gerado não é direcionada para a síntese de ATP, mas sim para a produção de calor. Existem várias vias metabólicas que utilizam vários substratos (glucose e ácidos gordos) para reduzir transportadores de protões como o NAD+ e o FAD+, que após receberem estes protões, passam a ser denominados de NADH E FADH2, respetivamente. São exemplos destas vias a glicólise, ciclo de Krebs, e oxidação de ácidos gordos. Seguidamente, estes transportadores de protões serão o substrato da cadeia respiratória, onde através da sua oxidação há a produção de energia química sobre a forma de ATP (Adenosina Trifosfato). Este processo ocorre na matriz mitocondrial e consiste na transferência de protões ao longo de uma cadeia de transportadores que é constituída por 4 complexos. Estes protões atravessam a membrana interna de acordo com o gradiente de concentração através de proteínas transmembranares, passando para o espaço intermembranar; de seguida os protões vão retornar à matriz mitocondrial com o recurso a ATP-sintases que utilizam a energia deste transporte para sintetizar ATP a partir de ADP e Pi. O aceitador final dos protões depende de organismo para organismo, sendo que no caso dos seres aeróbios é o O2.
O tecido adiposo é classificado em dois tipos que apresentam distribuição, fisiologia, estrutura e patologia diferentes. Um deles é o tecido adiposo comum, amarelo ou unilocular (gordura branca), que quando as células estão completamente desenvolvidas, apresentam uma única gotícula de gordura que ocupa quase todo o citoplasma. O outro tipo é o tecido adiposo multilocular, também conhecido como gordura castanha, que apresenta adipócitos com numerosas gotículas lipídicas e muitas mitocôndrias, que lhe conferem a cor castanha.
Nos seres humanos, a gordura castanha só apresenta quantidades significativas nos recém-nascidos, com função auxiliar na termorregulação. Ao ser estimulado pela libertação da noradrenalina nas terminações nervosas abundantes em torno das suas células, o tecido adiposo multilocular acelera a lipólise e a oxidação de ácidos gordos. O calor produzido vai aquecer o sangue contido nos capilares do tecido multilocular e é distribuído pelo corpo, aquecendo os diversos órgãos. A atividade desta proteína é também estimulada em muitos animais aquando da sua hibernação. A produção de termogenina é frequentemente estimulada quando consumimos uma refeição hipercalórica, sendo uma forma de gastar energia em excesso de modo a manter o balanço energético (e assim o peso corporal).
Texto escrito por:
Ângela Barbosa
Ângela Barbosa
Carla Rocha
Diogo Dinis
Diogo Assis
Marco Ferreira
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sábado, 22 de julho de 2017
quarta-feira, 19 de julho de 2017
Hidratos de carbono – derivados de monossacarídeos
Os monossacarídeos são as unidades estruturais de todos os
hidratos de carbono, são os seus blocos de construção (mais informações sobreesse assunto aqui).
Globalmente obedecem à fórmula química CH2On, ou seja, existe a proporção de o
equivalente a uma molécula de água (2 hidrogénios e 1 oxigénio) para cada
carbono, sendo por isso que surgiu o nome hidratos de carbono. No entanto,
existem também monosscarídeos que não obedecem a esta fórmula química, ou seja,
são monossacarídeos que surgem por modificação (bio)química dos monossacarídeos
originais. Essa modificação pode envolver a remoção de um ou mais átomos, ou a
mudança/alteração de grupos funcionais. Estes é que são os chamados derivados
de monossacarídeos, ou derivados de açúcar. Devido à sua elevada variabilidade,
não há grandes generalizações que se possam fazer em relação aos derivados de
monossacarídeos, pois as suas características físico-químicas dependem muito de
qual a modificação química que lhes deu origem, mas o objetivo é sempre o
mesmo: conferir propriedades novas a essas moléculas, propriedades que não
poderiam existir se se tratassem de monossacarídeos “puros”.
Não pensem que estes derivados de monossacarídeos são
moléculas muito raras, com funções específicas (apesar de alguns derem
exatamente isso). O derivado mais “famoso/conhecido” é a desoxirribose. Esta molécula deriva da ribose, através da
remoção de um átomo de oxigénio (daí o prefixo “desoxi”), sendo um elemento
fundamental para o DNA, entrando na composição de cada desoxirribonucleótido.
A
fucose é também um derivado
de monossacarídeo (neste caso da galactose) presente em glicoproteínas, sendo
por isso importante para a composição e função de glicoproteínas e
glicosaminoglicanos das células dos mamíferos, insetos e plantas. Quer a
desoxirribose que a fucose pertence à família dos desoxiaçúcares.
A glucosamina
e a galactosamina são
aminoaçúcares (monossacarídeos com um grupo amina), muito importantes como
blocos de construção de glicosaminoglicanos. Derivam da glucose e da galactose,
respetivamente.
Estes grupos amina podem ainda sofrer modificações adicionais,
originando, por exemplo, N-acetilglucosamina
ou N-acetilgalactosamina.
Outra família importante de derivados de monossacarídeos são
os derivados acídicos. Neste caso podemos ter dois tipos diferentes os ácidos –ónicos
e os ácidos –urónicos. Os primeiros surgem quando o grupo carbonilo de um
monossacarídeo é oxidado a grupo carboxílico. Se isso acontecer à glucose, por
exemplo, obtém-se o ácido glucónico.
Os segundos surgem quando é o último grupo hidroxilo da cadeia que sofre
oxidação a grupo carboxílico. Por exemplo, se glucose sofrer este tipo de
modificação, obtém-se o ácido
glucorónico. Estes derivados de açúcar são importantes constituintes de
glicosaminoglicanos, por exemplo.
segunda-feira, 17 de julho de 2017
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